Wednesday, December 20, 2006

Grandes amigos


Estive conversando com uma amiga, ela me disse que sua visão de mundo mudou depois de constatar ter câncer. Eu já tinha pensado nisso há anos, quando uma empregada doméstica de minha mãe teve essa mesma doença, só que essa última não admitia conversar sobre esse assunto, ficava indignada, enquanto a primeira fala com naturalidade e com grande otimismo. Nos dois casos eu compreendo.

Eu, já conhecia há alguns anos a amiga, e ontem, ela me disse uma coisa talvez sem perceber. Foi quando disse que agora ela só tem os amigos que ela escolheu para serem seus amigos de verdade.

Só que esses amigos estavam na sua programação reencarnatória, eram espíritos que iriam nascer para dar apoio e muita solicitude quando essa hora chegasse. Realmente, a Misericórdia Divina está sempre presente. Neste caso seus amigos estão cumprindo as promessas ao dar a minha amiga, o conforto da amizade.


Existirá algo mais agradável do que ter alguém com quem falar de tudo como se estivéssemos falando conosco mesmos? (Cícero)

Saturday, December 16, 2006

Michelangelo


Michelangelo, ou Miguel Ângelo, conforme se respeite a forma original ou se faça a opção pela "última flor do Lácio, inculta e bela", como desejava o Bilac.

A cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma, também é um trabalho do artista, dessa vez atuando como arquiteto e pintor. É uma obra que impressiona mesmo nos dias de hoje e que precisa ser vista com o pensamento preso nas limitações de uma época onde a ciência era uma coisa incipiente e o cálculo estrutural era assim meio intuitivo. Pintar tudo aquilo exigiu um esforço sobre-humano do artista.

Lácio é a região onde se localiza Roma e a língua portuguesa é a mais nova, e portanto a última língua originada do antigo latim romano. Daí ser chamada de última flor do Lácio por Olavo Bilac, expressão que ficou sendo usada na defesa da integridade da língua. Isso no Brasil. Em Portugal, onde Bilac é menos prestigiado e conhecido, a frase não é usada. Provavelmente raros portugueses a conhecem. Abaixo segue, na íntegra, a poesia de Bilac sobre a nossa língua.

LÍNGUA PORTUGUESA

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Então, até a próxima postagem, sem dia marcado! Atenção, não disse 100 dias marcado!

Até a vista!