Michelangelo

Michelangelo, ou Miguel Ângelo, conforme se respeite a forma original ou se faça a opção pela "última flor do Lácio, inculta e bela", como desejava o Bilac.A cúpula da Basílica de São Pedro, em Roma, também é um trabalho do artista, dessa vez atuando como arquiteto e pintor. É uma obra que impressiona mesmo nos dias de hoje e que precisa ser vista com o pensamento preso nas limitações de uma época onde a ciência era uma coisa incipiente e o cálculo estrutural era assim meio intuitivo. Pintar tudo aquilo exigiu um esforço sobre-humano do artista. Lácio é a região onde se localiza Roma e a língua portuguesa é a mais nova, e portanto a última língua originada do antigo latim romano. Daí ser chamada de última flor do Lácio por Olavo Bilac, expressão que ficou sendo usada na defesa da integridade da língua. Isso no Brasil. Em Portugal, onde Bilac é menos prestigiado e conhecido, a frase não é usada. Provavelmente raros portugueses a conhecem. Abaixo segue, na íntegra, a poesia de Bilac sobre a nossa língua.LÍNGUA PORTUGUESA
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Então, até a próxima postagem, sem dia marcado!
Até a vista!


1 Comments:
De repente, me vejo de volta aos meus tempos de ginásio, numa época em que a Língua Portuguesa era não apenas ensinada, mas reverenciada
como instrumento de identificação de um povo. A poesia de Bilac, falando sobre a "última flor do Lácio, inculta e bela" era encontrada nos livros escolares e estudada em todos os detalhes.
Hoje os tempos mudaram, mas ficou a saudade do tempo em que a Língua Portuguesa não era massacrada como agora...
(Bianca)
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